3.8.05

"Árvore"

Na estrada de pedras, em dura jornada,
o infante faminto, figura infeliz!
quisera que o Deus lhe desse comida,
e sua fome saciasse, num gesto de Assis.

Beirando o caminho, de fronte frondosa,
o generoso seio da mãe-natureza!
trazia-lhe, na árvore, o fruto maduro,
o alimento nutriz, com toda a certeza!

Pendente dos galhos o viço da vida,
curioso sentido da divina graça!
o fruto bendito saciara-lhe a fome,
restituíra energia ao infante que passa.

Meditando na sorte, prossegue o infante,
sangrando-lhe os pés, mas confiante no fim!
que justa era a mão que lhe dera tal fruto,
que bela era a árvore, que o fizera assim!

Saciar os famintos é o destino da árvore,
que a todos faz brinde com o fruto maduro!
e num aceno de vida lhes enche o estômago,
devolvendo-lhes força no gesto mais puro!

Injusto é aquele que se faz dono da árvore,
e ao infante faminto vem negar o alimento!
e lhe tira na vida a energia da alma,
sonegando-lhe o fruto que lhe dá alento.

A ninguém é dado ser dono da árvore,
e dos frutos de amor que pra todos produz!
que no ramo ofertante aplaca-lhes a fome,
e que a seiva da vida a eles conduz.

Que o amor, como o fruto, sacie na fome,
e deles não existam os donos da vida!
para que alento não falte, aos infantes famintos,
e a mãe-natureza a eles dê guarida!

Será dono do fruto aquele que, na fome,
a árvore generosa o der a colher,
e que lhe sirva ao destino a energia que nutre,
devolvendo ao faminto a força de viver!

Tentarei não mais ser o dono da árvore,
e no egoísmo infame, furtar-lhe o valor!
para que os frutos produza e a muitos sacie,
trazendo prá vida alimentos de amor!

j.campelo